Dr: “meu volume de sêmen diminuiu”!
Muitos homens se queixam da diminuição do volume do ejaculado, popularmente colocado como “diminuição do sêmen”. Isso é normal? Ou significa alguma doença?
Aqui neste artigo vamos explicar os mecanismos envolvidos na produção masculina, bem como fatores de risco para essa queda.
Em primeiro lugar, cabe colocar; o líquido ejaculado é composto por:
- 20-25% de secreção da próstata
- 70% de líquido das vesículas seminais. As vesículas seminais são estruturas como pequenas bolsas, localizadas atrás da próstata, que produzem e acumulam fluido seminal
- cerca de 5-10% de espermatozoides
Existe uma variação normal e rotineira da produção.
Os principais fatores que influenciam o volume ejaculado em diferentes faixas etárias incluem alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, duração da abstinência sexual, e fatores de estilo de vida como obesidade e tabagismo.
O volume seminal alcança o pico entre 30-35 anos (3,51 ± 1,76 mL), e declina progressivamente após os 45 anos de idade, atingindo valores mais baixos após os 55 anos (2,21 ± 1,23 mL).
O volume diminui aproximadamente 0,03 mL por ano de idade, com reduções de 3-22% ao comparar homens de 30 anos com homens de 50 anos.
Alguns fatores que explicam essa queda são relacionados ao envelhecimento:
- Há um declínio na função prostática e das vesículas seminais. Esses dois elementos contribuem com 90-95% do volume total do ejaculado.
- Ocorre comprometimento do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e disfunção das células de Sertoli (produzem esperma) e Leydig (produzem testosterona), com o passar dos anos.
- Se a testosterona cair para níveis anormais, os componentes do ejaculado podem se reduzir, pois são andrógeno-sensíveis.
Meu volume de sêmen diminuiu: grupo de fatores
Há outro grupo de fatores, modificáveis: doenças vasculares, diabetes mellitus e obesidade.
Além de contribuem para a deterioração da função reprodutiva, também impactam significativamente o volume seminal.
A obesidade exerce efeito deletério particularmente em homens mais velhos, enquanto o tabagismo está associado a volumes seminais significativamente menores em todas as faixas etárias.
Curiosamente, a duração da abstinência sexual tende a aumentar com a idade, mas não compensa o declínio relacionado ao envelhecimento.
Raramente pode haver obstrução adquirida dos ductos ejaculatórios, que são os canais que conduzem a produção da próstata e das vesículas seminais, em casos de infecção importante.
As disfunções ejaculatórias representam uma categoria importante de hipospermia (queda no esperma), particularmente em homens com histórico de cirurgias retroperitoneais, pélvicas ou neurológicas.
Vale mencionar a ejaculação retrógrada. Ela ocorre quando há falha no fechamento do colo vesical durante a ejaculação, resultando em fluxo retrógrado do ejaculado para a bexiga, ao invés de expulsão anterógrada pela uretra.
Esta condição pode ser secundária a bloqueadores alfa-adrenérgicos (medicações comumente usadas para próstata, como a doxazosina), procedimentos cirúrgicos na próstata ou colo vesical, ou neuropatias afetando o controle simpático do colo vesical, incluindo diabetes mellitus, lesão medular, distúrbios neurológicos ou dissecção de linfonodos retroperitoneais.
Das causas infecciosas, podemos citar orquite (infecção dos testículos), epididimite (infecção dos epidídimos), e prostatite crônica causada por Escherichia coli. Todos podem ter efeitos deletérios em vários parâmetros espermáticos.
Medicamentos que podem alterar o volume expelido do ejaculado
- Inibidores da 5α-redutase (finasteriada, dutasterida): podem prejudicar a função sexual, diminuir o volume seminal e afetar negativamente os parâmetros espermáticos, dependendo da dose e duração do tratamento. Naqueles com mais de 35 anos, obesos e diabéitcos, os efeitos são maiores.
- Bloqueadores alfa-adrenérgicos (medicações comumente usadas para próstata, como a doxazosina): ao melhorar o fluxo urinário, relaxam o colo vesical produzindo ejaculação retrógrada. Ou seja, o ejaculado não é expelido durante o orgasmo, sendo direcionado à bexiga. O sêmen é eliminado junto com a urina.
- Hipoglicemiantes (metformina): associada a baixa qualidade seminal. Se maiores de 35 anos, diabético e obeso, maior risco.
- Anti-hipertensivos (metoprolol, e lisinopril): estão associados à reduções estatisticamente significativas da qualidade seminal, mesmo após ajuste para idade e dias de abstinência. Idade avançada e obesidade aumentam a susceptibilidade aos efeitos colaterais.
- Psicotrópicos (antipsicóticos, inibidores da recaptação de serotonina): podem retardar a ejaculação e causar disfunção erétil. O efeito é pior com aumento da idade e uso de álcool.
