A cirurgia robótica mudou o tratamento do câncer de próstata e rim?
Sim. Desde 2009, a cirurgia robótica consolidou-se no Brasil como o padrão para a maioria das prostatectomias radicais e nefrectomias parciais, oferecendo maior precisão cirúrgica, recuperação mais rápida, e melhores chances de preservar funções importantes, como continência urinária e potência sexual, quando clinicamente possível.
A evolução da urologia oncológica permitiu que muitos procedimentos antes realizados por cirurgia aberta fossem substituídos por técnicas minimamente invasivas assistidas por robôs.
No meu consultório, uma das dúvidas mais frequentes é se o robô “opera sozinho”. A resposta é não. Todo o procedimento é realizado pelo urologista, que controla cada movimento a partir de um console cirúrgico.
O sistema robótico apenas traduz os comandos do cirurgião com extrema precisão, eliminando tremores e ampliando a capacidade técnica da equipe médica durante a operação.
Essa tecnologia representa um dos maiores avanços da cirurgia urológica nas últimas décadas, especialmente para pacientes com câncer de próstata localizado e tumores renais passíveis de tratamento conservador.
Por que a cirurgia robótica é considerada o padrão-ouro para o câncer de próstata e rim?
Porque oferece maior precisão na remoção do tumor, reduz o trauma cirúrgico e favorece melhores resultados funcionais em pacientes selecionados.
A plataforma robótica proporciona uma visão tridimensional em alta definição, ampliada em até 10 vezes, permitindo identificar estruturas anatômicas extremamente delicadas.
Outro diferencial está nos instrumentos articulados conhecidos como EndoWrist®, capazes de realizar movimentos com sete graus de liberdade, superiores aos movimentos naturais do punho humano.
Na prática, isso significa maior facilidade para dissecar tecidos, controlar pequenos vasos sanguíneos e realizar suturas extremamente precisas em espaços reduzidos.
Essa precisão é particularmente importante em duas cirurgias de alta complexidade:
- Prostatectomia radical robótica, indicada para o tratamento do câncer de próstata localizado.
- Nefrectomia parcial robótica, utilizada para remover tumores renais preservando o restante do rim sempre que possível.
Diversos estudos internacionais demonstram que, quando realizada por equipes experientes e em pacientes adequadamente selecionados, a cirurgia robótica apresenta excelentes resultados oncológicos, com menor perda sanguínea, menor necessidade de transfusão, menos dor no pós-operatório e redução do tempo de internação.
Como a precisão do robô ajuda a preservar a potência sexual após a cirurgia?

A tecnologia robótica facilita a preservação dos feixes neurovasculares responsáveis pela ereção quando o tumor permite uma cirurgia poupadora de nervos.
Ao redor da próstata existem estruturas extremamente delicadas chamadas feixes neurovasculares, fundamentais para o mecanismo da ereção.
Durante a prostatectomia radical robótica, um dos maiores desafios do cirurgião é retirar completamente o câncer sem lesionar essas estruturas quando isso é oncologicamente seguro.
A magnificação da imagem e a estabilidade dos instrumentos robóticos permitem uma dissecção muito mais refinada dos tecidos.
Essa precisão pode aumentar as chances de preservação da função erétil em pacientes cuidadosamente selecionados, embora os resultados também dependam de fatores como:
- idade;
- função erétil antes da cirurgia;
- extensão do tumor;
- presença de doenças como diabetes ou hipertensão;
- necessidade de ampliar as margens cirúrgicas para garantir o controle oncológico.
Outro benefício importante é a preservação do esfíncter uretral, estrutura responsável pelo controle da continência urinária.
Quanto menor o trauma sobre essa região, maiores tendem a ser as chances de recuperação da continência ao longo dos meses seguintes.
É importante ressaltar que nenhum procedimento pode garantir a preservação completa da potência sexual ou da continência em todos os pacientes. A prioridade sempre é a remoção adequada do câncer.
É possível preservar o rim durante o tratamento do câncer renal com cirurgia robótica?
Sim. Sempre que tecnicamente possível, a nefrectomia parcial robótica remove apenas o tumor e preserva a maior quantidade possível de tecido renal saudável.
Há alguns anos, muitos tumores renais eram tratados com a retirada completa do rim.
Hoje, para diversos tumores pequenos e localizados, a estratégia preferencial é preservar o órgão.
Na nefrectomia parcial robótica, o médico cirurgião remove exclusivamente a lesão, reconstrói o rim e restabelece sua anatomia com elevada precisão.
Esse procedimento contribui para manter a função renal a longo prazo, reduzindo o risco de doença renal crônica, especialmente em pacientes com hipertensão, diabetes ou rim único.
A precisão da plataforma robótica também auxilia na redução do chamado tempo de isquemia quente, período em que o fluxo sanguíneo do rim é temporariamente interrompido durante a cirurgia.
Quanto menor esse tempo, maior tende a ser a preservação da função renal.
Quanto tempo dura a recuperação após uma cirurgia robótica?
Na maioria dos casos, a recuperação costuma ser mais rápida do que na cirurgia aberta, permitindo retorno precoce às atividades conforme orientaçãomédica.
Cada paciente apresenta um ritmo próprio de recuperação.
Ainda assim, a cirurgia robótica costuma proporcionar benefícios como:
- pequenas incisões;
- menor dor pós-operatória;
- menor perda de sangue;
- redução do risco de complicações relacionadas à ferida cirúrgica;
- alta hospitalar geralmente entre um e três dias, dependendo do procedimento;
- retorno progressivo às atividades habituais em poucas semanas.
A recuperação completa depende do tipo de cirurgia, da condição clínica do paciente e do cumprimento das orientações médicas.
Durante o acompanhamento pós-operatório, também são monitorados exames laboratoriais, resultado anatomopatológico e necessidade de tratamentos complementares, quando indicados.
Quem é candidato a essa cirurgia?

Pacientes com câncer de próstata localizado ou tumores renais passíveis de tratamento minimamente invasivo podem ser candidatos, após avaliação individualizada.
Nem todo paciente necessita de cirurgia, e nem toda cirurgia precisa ser realizada por via robótica.
A decisão depende de diversos fatores, como:
- localização e estágio do tumor;
- idade;
- estado geral de saúde;
- doenças associadas;
- exames de imagem;
- expectativas do paciente;
- experiência da equipe cirúrgica.
No consultório, a avaliação personalizada permite definir a estratégia mais segura e eficaz para cada caso, sempre baseada nas melhores evidências científicas disponíveis.
Conclusão
A cirurgia robótica representa um marco na evolução da urologia oncológica. Em 2026, ela está consolidada como uma das principais abordagens para o tratamento do câncer de próstata e de muitos tumores renais, oferecendo alta precisão, menor trauma cirúrgico e recuperação mais confortável para pacientes selecionados.
Além dos benefícios relacionados à recuperação, a tecnologia possibilita uma dissecção extremamente detalhada de estruturas como os feixes neurovasculares e o esfíncter uretral, contribuindo para melhores resultados funcionais quando isso é compatível com a segurança oncológica.
Se você recebeu o diagnóstico de câncer de próstata ou de rim e deseja entender quais opções de tratamento são mais indicadas para o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Marcos Lucon.
Uma avaliação individualizada, baseada em evidências científicas e nas características do seu tumor, é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada.
