Incontinência urinária de esforço. Perder urina ao tossir, rir, espirrar, pular, correr ou durante exercícios físicos é mais comum do que muitas mulheres imaginam. Apesar disso, ainda existe muito constrangimento em falar sobre o assunto, o que faz com que diversas mulheres convivam em silêncio com esse problema.
A incontinência urinária de esforço (IUE) é um tipo específico de perda involuntária de urina associada ao aumento da pressão dentro do abdômen. Ela não é consequência normal do envelhecimento e, principalmente, tem tratamento.
Neste artigo, você vai entender de forma clara:
- O que é incontinência urinária de esforço
- Por que ela é mais comum nas mulheres
- Quais são os fatores de risco
- Como é feito o diagnóstico
- Quais são os tratamentos modernos disponíveis
- O que pode ser feito para prevenir e melhorar os sintomas
O que é incontinência urinária de esforço?
A incontinência urinária de esforço acontece quando ocorre perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão abdominal, como:
- Tossir
- Espirrar
- Rir
- Subir escadas
- Pular
- Correr
- Praticar musculação
- Levantar peso
Nessas situações, a bexiga é comprimida e, se os músculos responsáveis por segurar a urina estiverem enfraquecidos, ocorre o escape.
Por que a incontinência urinária de esforço é mais comum em mulheres?
A anatomia feminina e os eventos ao longo da vida tornam as mulheres mais suscetíveis a esse tipo de incontinência.
Entre os principais motivos estão:
- Gravidez
Durante a gestação, o peso do bebê pressiona os músculos do assoalho pélvico, causando estiramento e enfraquecimento.
- Parto vaginal
O parto pode lesar músculos, nervos e ligamentos responsáveis pelo controle urinário.
- Alterações hormonais
Na menopausa, a queda do estrogênio reduz a elasticidade e a força dos tecidos da uretra e da vagina.
- Envelhecimento
Com o passar dos anos, ocorre perda natural de massa muscular.
- Cirurgias ginecológicas
Procedimentos como histerectomia podem alterar o suporte pélvico.
Como funciona o assoalho pélvico?
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos que sustenta:
- Bexiga
- Útero
- Intestino
Além disso, esses músculos são responsáveis por manter a uretra fechada durante esforços.
Quando está enfraquecida, a uretra não consegue se manter totalmente fechada, facilitando a perda de urina.
Sintomas da incontinência urinária de esforço
- Pequenos ou grandes escapes de urina
- Piora durante exercícios físicos
- Necessidade de usar absorventes diariamente
- Sensação de insegurança ao sair de casa
- Redução da prática esportiva
- Impacto na autoestima e vida social
Importante: na IUE não há urgência súbita para urinar, diferentemente de outros tipos de incontinência.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, feito por um urologista baseado em:
- História detalhada dos sintomas
- Exame físico
- Diário miccional
- Exames de urina
Em alguns casos, pode ser solicitado estudo urodinâmico.
Tratamentos modernos para incontinência urinária de esforço feminina
Hoje existem diversas opções eficazes e personalizadas.
Fisioterapia pélvica
É o tratamento de primeira linha.
Inclui:
- Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico
- Biofeedback
- Eletroestimulação
- Treino funcional
Resultados:
- Redução significativa dos escapes
- Melhora da força muscular
- Aumento da confiança

podem ser feitos em casa, mas preferencialmente com orientação profissional; eles
consistem em contrair e relaxar os músculos do assoalho pélvico
Exercícios de Kegel
Podem ser feitos em casa, mas preferencialmente com orientação profissional.
Consistem em contrair e relaxar os músculos do assoalho pélvico.
Mudanças comportamentais
- Perda de peso, se necessário
- Evitar constipação
- Reduzir cafeína
- Parar de fumar
Tratamentos medicamentosos
Em alguns casos específicos, podem ser utilizados medicamentos para melhorar o comportamento vesical.
Tratamentos minimamente invasivos
- Aplicação de agentes de preenchimento uretral
- Laser vaginal (em casos selecionados)
Cirurgia
Indicada quando tratamentos conservadores falham.
A técnica mais comum é a colocação de slings uretrais, com alta taxa de sucesso.
A incontinência urinária tem cura?
Na maioria dos casos, sim ou apresenta controle muito eficaz. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores os resultados.
Incontinência urinária não é normal
Perder urina não faz parte do envelhecimento saudável. É uma condição médica e deve ser tratada.
Buscar ajuda é um passo de autocuidado e qualidade de vida.
Prevenção
- Fortalecer o assoalho pélvico
- Manter peso saudável
- Praticar exercícios corretamente
- Tratar constipação
- Realizar acompanhamento médico regular
Checklist de sinais de alerta na incontinência urinária de esforço
Se você se identifica com um ou mais dos sinais abaixo, indica-se procurar avaliação com urologista:
☐ Perde urina ao tossir, espirrar, rir ou falar alto
☐ Perde urina ao pular, correr, dançar ou fazer musculação
☐ Precisa usar absorventes diariamente por escapes urinários
☐ Evita atividades físicas por medo de perder urina
☐ Sente que não consegue “segurar” a urina durante esforço
☐ Apresenta sensação de peso ou pressão na vagina
☐ Teve parto vaginal e passou a ter escapes após o nascimento
☐ Percebeu piora dos sintomas após a menopausa
☐ Já realizou cirurgia ginecológica e passou a ter perda urinária
☐ Os escapes interferem na autoestima ou vida social
Atenção: quanto mais cedo avaliar-se, maiores as chances de sucesso com tratamentos conservadores e não invasivos.
Quando buscar ajuda imediatamente
Procure atendimento médico o quanto antes se, além da perda de urina, você apresentar:
- Dor ao urinar
- Sangue na urina
- Febre
- Ardor intenso
- Dor pélvica persistente
- Piora rápida dos sintomas
Esses sinais podem indicar outras condições associadas, como infecção urinária ou alterações neurológicas.
A incontinência urinária de esforço feminina é comum, mas não deve ser normalizada. Existem tratamentos modernos, eficazes e acessíveis que permitem recuperar o controle urinário, a autoestima e a liberdade.
Cuidar da saúde íntima é parte fundamental do cuidado com você mesma.
